19 de jun. de 2007
9 de jun. de 2007
É cedo...
Que noite. Que noite!, melhor dizendo.
Uma a uma me desfaço das peças de roupa. Ah! O ar frio da manhã no suor cansado do corpo. Um frio na camada abaixo da pele; os músculos contraem, a respiração fica pesada, como se o ar fosse denso, quase areia.
Os ecos da noite ressoam, misturando-se aos pássaros da manhã.
O espírito ainda não quer descer ao corpo. A elevação foi muita, e uma descarga como essa pode sobrecarregar o corpo físico, que resiste, esperando a hora, que não chega.
E quando chegar, deitar a cabeça, deixar o que sobrou de demônio ir embora, e relaxar, aconchegado e quente, com o silêncio que só merece quem se entregou ao caos.
5 de jun. de 2007
Luto pela falta de lutas
Tarde demais, e somente por um aviso externo é que percebi que somos todos fardos. Quando nossas pernas são fracas, seja lá qual for a metáfora, pesamos nos ombros de alguém.
Hoje percebi-me um peso, o que me pôs a repensar os valores que dou às coisas, e o modo como enxergo a superfície das pessoas, em especial as mais próximas a mim. Por vezes, aceito facilmente uma falsa transparência, uma falsa demonstração de que tudo vai bem, enquanto isto tudo esconde a mim e a outros da realidade, talvez em uma errada tentativa de proteger-nos de um mundo que de fato precisamos encarar.
Somos todos fardos, e por vezes, por mais que tentemos, não é nossa opção sermos ou não carregados. Nossas fraquezas são muitas, para termos total controle sobre quando caminhar.
A muralha ruiu, e a cidade podre por detrás me contagiou os pensamentos. Contrastes incomodam, não deveriam existir. Acho que só queria não pensar muito, e viver em aceitação e resignação. Não sonhar, não idealizar, não esperar. Simplesmente seguir caminhando na velocidade que o mundo estabelece como base.
A vida me dá uma vontade seca de chorar, e para isso não há solução.
Declaro luto permanente pela morte de todas as coisas que jamais chegarão a existir.