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18 de nov. de 2010

Embaraço das tecelãs

Trançaram-lhes as mãos, e já não era mais possível tecer as linhas que costuravam-nos o destino. Embaraçadas, as tecelãs se desculpam; e enquanto tentam desfazer os nós, fios e fios passam desencontrados, sem quem os dê direção. Em meio a esses, eis que um resolve timidamente embaralhar-se a outro, também perdido logo ali. E perdidos, ambos vagam a esperar que resolvam-se as mãos das tecelãs, para enfim os costurar.

20 de mar. de 2010

Pessoas Verbais ou Como Foder Minha Cabeça

Sendo tão cru quanto a vida insiste em ser comigo:
A Softer World
Não achei que fosse possível, mas as tecelãs conseguiram arrancar mais uma piada no encerramento desse ciclo. E não uma piada qualquer, mas uma piada que vai me acompanhar por um tempo ainda, reforçando a irônica arte de foder minha cabeça.

De um jeito errado, eu estava certo sobre toda a percepção que tinha da situação. Não era um problema de tempo, mas de pessoa verbal. Conjugar nunca foi meu forte, então não conjugo que é pra não correr o risco de confundir pretérito com futuro perfeito.

O ciclo caminha para mais um fim. Apoteótico. Catastrófico. Hiperbólico. Pleonástico. E por algum motivo, apesar de não mais surpreender, incomoda. Não chega a doer, mas engasga. Não traz às lágrimas, mas pesa o peito num aperto sem fim. E cansa.

E já nem espero que haja quebra. O ciclo é minha sina, e de longe, assisto os que circulam ao meu redor, desejando um lugar onde o ciclo seja meu.

5 de set. de 2009

Nós

O nó na garganta impede as palavras de sair, ainda que tenha passado os últimos dias semanas ensaiando textos e diálogos imaginários pra dizer tudo o que quero (mas não) devo). É mais que um simples bloqueio, e talvez eu saiba bem explicar o processo, passo a passo, com detalhes - mas isso exigiria assumir algo para o qual não estou pronto. Não que um dia vá estar, mas não sei como sairia do choque que espero como consequência. Ou melhor, sei e tenho medo, isso sim. Muito medo.

O nó no estômago me tirou a fome, e por mais que pareça interessante de um certo ponto de vista (o do meu médico), me preocupa por ser justamente o oposto que outras situações de ansiedade me colocaram. Não comer me deu sono, que passou assim que abri a porta de casa e uma enxurrada de informações começou a ser processada, pedindo pra sair.

Fez-se um nó na estrada e nas pernas, e mesmo sem ter encruzilhada o caminho se perdeu - e eu nele. Cadê aquele pedestal que estava aqui? Será que voltei para o começo da história? "No matter how it starts" Ou desmoronou enquanto eu estava distraído? "No matter how it ends". O cenário é estranhamente novo, quase em branco para uma nova paisagem. "No matter how it starts". E o caminho vai se assentando até se perder de vista. "No matter how it ends".

Os lugares impossíveis de repente soam desejáveis outra vez, e tudo começa a fazer sentido, como uma peça de quebra cabeças que de repente se encaixa.


Irônica, a tecelã ri da mistura de choro e riso que estampo enquanto tento colocar em palavras cada pensamento que me passa voando. E até o tempo pára quando capto a lembrança de um sorriso.

26 de jun. de 2009

O lado irônico...

Irônica a tal tecelã que nos faz o destino. Confesso que no começo cheguei a esboçar um sorriso, e já ia me deixando levar, mas piada repetida, apenas repaginada, não me faz mais rir.

A vontade de seguir não é pequena, mas saber onde (não) vai chegar e o que acontece na segunda metade do ciclo me faz pensar duas vezes. Não me permito ao menos o ponto em que surge a inspiração, pois ele é próximo demais do trecho seguinte donde não há mais volta.

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Queria ser hoje menos amargo. Talvez a história não seja a mesma, mas já não quero pagar para ver. Noutra época este post seria um tanto mais poético e devidamente dedicado, mas por mais que algo dentro de mim implore para sair sob esta forma, sei que não posso ser tão exposto e invasivo ao mesmo tempo.