13 de set. de 2007

A quem interessar possa...



Estou começando a me acostumar à idéia de não haver um lugar a que pertençamos ou que nos pertença. Mais uma vez vou indo embora, com o coração apertado de quem quer ficar. Indo para menos distante que das outras vezes, verdade, mas ainda assim indo, e deixando para trás tanto. E tantos.

Nunca fui bom com as tais novidades. Sou mais estático e menos dinâmico; mais saudade que ansiedade. Meu mundo poderia se congelar no tempo que me faria feliz.

As idas anteriores deixaram marcas, algumas que sinto doer gostosamente vez em quando. E ainda que saiba ruim a dor, não sinto o desejo de me desfazer pelo esquecimento, mas sim pela lembrança - a qual obviamente não tem espaço.

Deixo menos para trás desta vez mas sinto o peso das outras idas acumular-se, como se para alertar que de fato não só lugares, mas pessoas também não nos pertencem senão em memórias.

Tenho um sincero medo do que está por vir, mas não quero lidar com isso agora. Por enquanto quero a paz e esse tempo congelado na noite silenciosa, trancados eu e minhas lembranças e minhas lágrimas.






* Espero sinceramente que os referenciados saibam quem são, ou de nada terão valido as palavras e gestos de outrora.

27 de ago. de 2007

...

Às vezes é difícil continuar achando que viver é a melhor opção...
Às vezes é quase impossível...
Às vezes é literalmente impossível...


Não estou bem, e não quero palavras de consolo.




Preciso sonhar, urgentemente!

28 de jul. de 2007

Inerte






As bombas nucleares já não me deprimem mais. Atentados, poluição, epidemias e catástrofes não me comovem. O mundo podre, falso, torto, errado, pseudo-evoluído, com suas pessoas idiotizadas, minúsculas e cegas ao menos me provocam incômodo. A indecência humana, nos olhos, na conveniência de não se permitir enxergar um milímetro além da casca, nem isso me afeta.

Enquanto inerte, deixo de ser mais uma vítima de sentimentos reproduzidos para ser vítima da conseqüência dessa massificação. Ontem eu quis me matar. E anteontem, no dia anterior, e em todos os dias pelos últimos meses e anos. Mas cheguei tarde, já estou morto há muito. Vago em espírito, observando imperceptível cenas que não me causam mais que pensamentos sobre a pequenez da limitada existência humana. Há uma lógica desfigurada regendo uma orquestra de surdos, e a música me faz mal aos ouvidos. Parar de ouvi-la traria a paz de que preciso, mas não se pode escolher a cruz, apenas carregá-la.