31 de ago. de 2010

Life is a loop

Inspira.
Expira.
Inspira. Expira.
Inspira; expira.
Inspira, expira
inspira expira
inspiraexpirainspiraexpirainspiraexpira

CALMA!


Devagar agora.

Foco. É preciso foco.
E controle.


Respiro pesadamente, como fosse denso o ar, quase sólido, e fosse preciso esforço para fazê-lo adentrar-me as narinas, fluir pela faringe e laringe, descer a traquéia e dividir-se nos brônquios para inundar o pulmão.


Devagar.

Concentração.

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Meses sem escrever. Meses a fio com palavras engasgadas, impulsos acorrentados, desesperos contidos e desejos vitimados por uma inação crônica. Meses, e ainda que houvesse tanto a expressar, uma imensidão de nada cercava, coibia, reprimia. Meses, e nem mesmo a retomada do controle poderá recuperar o que já não foi expressado. E nenhum grau de liberdade me permitirá expressar o que deveria, ainda que tenha plena consciência de que a internalização me trará de volta a este ponto.

Meses sem escrever, e nada do que acumulou parece querer sair. Não mais do que deseja simplesmente estar, e ser exatamente igual, sem emergir do subconsciente para a racionalidade mundana do tempo, começo, meio e fim.

Talvez escrever já não tivesse mais a relevância de outrora, e talvez exista, mesmo, um tempo para tudo e para todos. Mas toda vez que se pegava acreditando nisso, sua respiração desesperava, perdia o controle e o foco, e precisava começar tudo de novo.

25 de jun. de 2010

Chuva

Chovia e brindávamos, com vinho e abraços.

As roupas enxarcadas pelo chão, e nosso calor nos aquecia. Lá fora a chuva, aqui dentro o suor; e enxarcados, entorpecidos e extasiados, conversávamos em uma língua própria, mistura de linguagem corporal, semi-palavras, gemidos e espasmos.

Não muito longe, uma rosa que esqueci de entregar flutuava sem objetivo sobre a água da chuva. Um carro passa e joga a água, suja das ruas e perfumada da rosa, sobre as pessoas que esperam o ônibus.

"Foi lindo, romântico, perfeito, mas não foi apaixonante."

A rosa escorreu pelos esgotos, e morreu sem objetivo. Assim como eu, você, a garrafa de vinho, as pessoas que esperavam o ônibus, e a chuva.

20 de jun. de 2010

The Book

"Look", said the boy, "Destiny left his book over there! Let's read it!" Trembling, the girl took a step back and said: "No! We shall not do that! Destiny is probably close, and if he sees us reading his book... Oh... I don't even want to think about it."

The boy kept going. "Come, quick!", he said, as he walked towards the book, sitting over a big rock next to the river. As they approached, the book opened by itself, to the exact page where their story was written. The girl was afraid, and hid behind a tree, looking around to see if anyone showed up. The boy just kept reading, interested on what was going to happen to them. And he read it to the end of the page, where he found out that they would follow different ways, never getting to meet again.

The girl said: "We've gone too far, now. Let's go, before anything bad happens.". She ran away before she could see the boy's face covered up with tears. Despaired, he cut himself and started re-writing the story, using his blood as ink. He wanted a different end, and that was his only chance...

After this day, nobody ever heard of them any more, but legends tell of a boy and a girl condemned to live together forever, without ever finding their way back home, or even meeting other people.

And they lived happily ever after.