Ando vendo monstros. Monstros que guardam portas atrás das quais escondo experiências que não quero mais viver. Seres que povoam os corredores do meu subconsciente, e saltam da escuridão a me paralizar de medo. Protegem-me, apesar dos pesares. E sentindo-me protegido, crio mais deles a cada experiência que desejo esconder. E são tantas. E tantos são os monstros, que já não sei mais andar pelos corredores sem me deparar com um. Alguns que já havia esquecido, que já havia até mesmo perdido o controle. E o meu corredor bem protegido tornou-se meu labirinto, guardado por várias dezenas de minotauros enfurecidos com minhas tentativas de abrir portas. Com isso, meu caminhar é lento, cauteloso, e às vezes nem andar é. À medida que as luzes se apagam, o labirinto se apresenta mais perigoso, e eu mais amedrontado. E esse medo me faz perdido, sem conseguir ao menos imaginar que em algum canto ermo possa haver uma nova porta, desprotegida e pronta para se abrir para um mundo onde poderei deixar os monstros para trás.